"GUERRA SEM PISTEIROS
- JARDIM SEM FLORES"

Este é um blog de partilha de memórias e de vivências mais actuais, recordar o passado, viver o presente e olhar para o futuro...



sexta-feira, 21 de maio de 2010

A NOSSA HISTÓRIA...

O MATO NÃO TEM SEGREDOS

Pisteiros de Combate: Tenacidade, persistência e conhecimento da Natureza na luta contra a guerrilha. Tropa especial criada pelo então Comandante chefe das Forças Armadas em Moçambique, General Kaúlza de Arriaga, no ano de 1970, com as primeiras equipas a serem formadas na ex-Rodésia e a partir daí começou a formar-se a Companhia dos Pisteiros.

A partir de 1 de Janeiro desse ano, segundo um decreto da Presidência do Conselho, foi atribuída uma gratificação mensal de 400 escudos, desde que os militares tivessem averbado o respectivo curso completo.

O Centro de Instrução que integrava uma Companhia de Pisteiros de Combate, estava cediada em Vila Pery, cidade e capital de Distrito com o mesmo nome, e era aí a poucos quilómetros, junto à escola de Regentes Agrícolas, em plena mata, que fazíamos exercícios e dávamos instrução intensiva, preparando equipas que eram lançadas no rasto dos fugitivos mato fora, por entre capim e arbustos, ora pisando terreno pedregoso, ora atolando-se nos charcos que acompanhavam os rios, de pequeno e grande caudal.

A missão é encontrar sinais que confirmem a passagem recente de seres humanos pelo local, um rasto bem vincado na terra solta, o capim tombando, em cada folha pisada e em cada imperceptível galho quebrado, um pequeno tronco de árvore caído no chão ou uma pedra deslocada do local, onde ainda se notam sinais de humidade são, pequenos pormenores de onde o pisteiro recolhe preciosos elementos, mêrce de uma rápida, mas cuidada análise.

São quatro equipas de pisteiros que num exercício simulado saltando de helicóptero; uma fazendo de grupo inimigo e as outras na sua preseguição, são praças sargentos e oficiais africanos e europeus, que naquela manhã como todos os dias, se entregavam a uma cuidada preparação dos pisteiros consistindo, essencialmente, em trabalho prático mas rigoroso no aperfeiçoamento do tiro, "onde punha o olho tinha que por a bala", ser astuto, ter tacto, ser pisteiro era passar por um curso apuradíssimo e difícil, aquele curso fez desses homens os grandes e preciosos "leitores" da picada, aqueles que seguindo a pista e em contacto directo com a selva aprenderam a tirar partido do que a natureza lhes oferecia, de bom e de mau.

Ser Pisteiro também tinha a sua parte em missões humanitárias das populações conjuntamente com tropas de Engenharia e outras forças especiais no distrito de Tete, começaram a construção do aldeamento de Nura e, neste e em Mecumbura, montaram serviços de apoio técnico agra-pecuário as populações, serviços de assistência religiosa, sanitária e alimentar, e ainda serviços escolares.

3 comentários:

  1. Apesar de não ter pertencido aos Pisteiros de Combate, frequentei, em 1970, um curso de iniciação aos pisteiros, tendo como instrutor Daniel Roxo.A companhia tinha alguma coisa a ver com isto??

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  2. Estive nos Pisteiros em Vila Pery, onde éramos sovados na instrução com sessões de boxe até alguém ficar com sangue, com crosses de largas dezenas de kms até à fronteira de Umtali (Zimbawué); nas caminhadas, eu delirava com esplanadas cheias de mesas repletas de copos de cerveja e camarão; era o cansaço a "ditar lei"
    Isto aconteceu no Verão de 1973. Pintado Jorge Furrril Miliciano da 3CCaç BCaç 5013/73.

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